Humana Idade
Passamos a ocupar o lugar de testemunhas de um processo em criação, onde o artista está inteiro em cada uma das telas, sem jamais mostrar-se todo.

As marcas fazem traço, num impossível de esgotar-se, impelindo-nos a pensar não "o que quis dizer Ana", mas sobretudo, levando-nos a constatar que "não importa o quê, é preciso dizê-lo".

A expressão se encarna, assim, como o motor e finalidade última dessa série.

Ao mesmo tempo em que nos arrebata pelo traço que ali se revela, transporta-nos a um mais além, ainda não enunciado, quiçá enunciável. No instante de cada revelação, algo transparece como impossível de ser expresso.

No processo de criação inerente ao ser humano, a cada novo contraste, a cada nova descoberta, Ana se mostra infinita. Indestrutível, portanto, em sua própria criação. Mas simultaneamente, absolutamente humana ao des-velar-se pelo reconhecimento da fragilidade do homem como criador e criatura. Remete-nos a nossa finitude.

Esse caráter, humano, de poder ultrapassar-se, dobrando-se diante da força da vida que nos impõe produzir, que nos impele a expressar, a despeito de nós mesmos, nossa humana idade, é o que em Ana parece não poder cessar de existir. O que a obra de Ana desvela é aquilo que, em nós, jamais conseguimos velar totalmente: nossa humanidade.



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Apresentação de Evelin Pestana, psicanalista, presidente da Faculdade da Criança e do Adolescente - Rio de Janeiro - RJ - à exposição Humana Idade, realizada por Ana Pestana em São Paulo, na Casa da Fazenda - Pavilhão Futur, em março de 2000.
Sem título - 86 x 143 cm.

São Paulo - Brasil / 1999.


Olhando para os quadros pintados por Ana Paula Pestana, somos invadidos por uma sensação de paixão.

É a paixão que a sua pintura nos transmite. Parece que cada quadro para ela é uma meta definida e definitiva, em que se exaure como se o quadro fosse por si, o último objetivo da sua vida.

Ela não pinta como passatempo. Ela pinta porque pintar é a forma que ela encontrou de viver; de se mostrar por dentro, a forma achada de respirar; de sofrer; de viver; de se angustiar: a forma que ela encontrou de ter um espaço só para si, onde ela questiona e resolve os problemas de sua própria existência.

Nesse espaço ela é o herói da aventura sonhada um dia, a protagonista de sonhos que só existem dentro dela e que bem ou mal ela transporta para uma tela, onde as angústias encontram soluções estéticas a determinar uma qualidade de expressão que inevitavelmente lhe irá garantir um dia um lugar cimeiro entre os pintores brasileiros.

Não importa que a relação entre ela e ela mesmo, seja uma relação equilibrada. Normalmente o talento e a magia da criação tornam difícil o acesso ao equilíbrio. Importa sim, o resultado final de todo o processo criativo. E esse é muito bom, a avaliar pela pintura que temos à nossa frente.

Tenho muita esperança no futuro de Ana Paula Pestana. Ela persegue uma vocação, dedica-lhe todo o tempo que consegue disponibilizar e toda a energia que é capaz de mobilizar. Isso tudo é afinal a massa de que é feita. Não pode deixar de dar certo.

Quando o trabalho se junta a talento, o mundo interior do artista explode e a "obra nasce". Com a ajuda de Deus.



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Rodrigo Leal Rodrigues
Presidente da Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes.

Ana Pestana - Casa de Portugal
Ao nos defrontarmos com as cores, com o traço e a textura que compõem este momento da oba de Ana Pestana, somos tomados por um sentimento de júbilo.

 

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Artista plástica com especialização em Arte Contemporânea, dedicou-se intensamente à pintura de 1997 a 2002. Embora hoje o mosaico esteja no centro de suas atividades, Ana nunca abandonou completamente sua produção em tela.

Assim como faz com as mandalas, atualmente seu trabalho com pintura é bastante personalizado, procurando, antes de mais nada, captar a energia, a motivação e os sentimentos do ambiente e da pessoa para quem o quadro está sendo realizado.

Nas telas abaixo, um pouco do seu trabalho. Para Informações, encomendas, possibilidades, entre em contato.

Sem título - 100 x 100 cm.
Improvisação III - Acrílico, carvão sobre tela.
143 x 86 cm.