Por Evelin Pestana*  e  Carla Lemgruber**

* Psicóloga.
** Estudante de Design (PUC-Rio).
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"Para onde ir, de que modo construir um projeto de vida, qual o sentido de estarmos vivos" - são apenas algumas das perguntas que hoje atropelam nossos planos de colocarmos em prática o que temos de mais valioso: nossa capacidade criativa.

O excesso de "liberdade" faz com que nos afastemos de nós mesmos e dos outros ao nosso redor. Nos assusta a quantidade de opções a serem seguidas e ficamos sem ter parâmetros para julgar qual delas é a melhor, qual nos levará ao "sucesso".

A "falta de rumo" nos faz duvidar de nós mesmos e nos esquecermos de nossa humanidade, nos afastando daquilo que realmente nos diferencia dos outros animais: a capacidade de transformar a realidade que nos rodeia.

As conseqüências visíveis de certos excessos em nossa sociedade se expressam nos inúmeros casos de depressões, toxicomanias, doenças psicossomáticas e síndromes do pânico. Ou seja, nos sentimos fragilizados e despedaçados, pois temos muitas opções de caminhos a seguir e, ao mesmo tempo, somos forçados a sermos aquilo que se espera de nós. E assim, nos privamos de sermos nós mesmos...

O que é necessário são dois movimentos incessantes, caminhando juntos: um, de des-construção, de desmontagem de antigos medos e ansiedades; outro, de construção, de renovação de forças. O que a técnica do mosaico pode propiciar é um espaço em que esse processo tem a chance de ser iniciado: quebrar em pedacinhos o que nos é apresentado em blocos para, a partir daí, juntar aquilo que foi quebrado a fim de retomarmos o espírito de ser criança, onde a fé e os sonhos não deixam de vir à tona com menor constrangimento e cobranças internas, possibilitando que, ao mesmo tempo, nos surpreendamos diante de nós mesmos e busquemos, então, nos compreender.

Entendemos que não foi à toa que o mosaico, desde a Antiguidade, foi criado. O homem sempre teve necessidade de criar, de renovar, de refazer sua vida - razão pela qual ele tem sobrevivido como espécie.

Nos tempos atuais, um tempo para si, um tempo de des-construção e construção/reconstrução é o que a técnica do mosaico pode oferecer, de imediato, a cada um que dela se aproxime. Nesse sentido, ela é, no mínimo, uma abertura para novos caminhos de vida e novas formas de existir.

Nos tempos pós-modernos, "juntar os caquinhos" de nossa tão maltratada existência se tornou, então, tarefa primordial. A arte do mosaico, tal como demais modalidades artísticas similares, é um dos caminhos capazes de nos propiciar o resgate desse tempo tão precioso em que nos permitimos deixar de lado as tensões externas para entrarmos em contato com o que nos aflige.